domingo, 19 de julho de 2009

MEU PROJETO DE DOUTORADO NA UFPE

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA









Projeto de Pesquisa- Doutorado

ESPETACULARIZAÇÃO DO PODER: CULTURA POLITICA, FESTAS CÍVICAS E ESTADO NOVO NA PARAÍBA (1937-1945)

José Luciano de Queiroz Aires











Outubro/2008




1- INTRODUÇÃO

Este projeto de pesquisa pretende investigar a cultura política paraibana no contexto nacional do Estado Novo (1937-1945), buscando evidências sobre os usos das imagens e das festas cívicas por parte dos interventores Argemiro de Figueiredo e Rui Carneiro , respectivamente, seguindo pistas para decifrar os objetivos do Estado e a recepção, por parte de atores sociais, dessa espetacularização do poder.
Um primeiro contato com a documentação me permitiu observar a diversificação de festas cívicas durante o período que proponho estudar, desde as de comemorações do aniversário do governo vigente, até as dos passados, da qual o Dia do Soldado é exemplo que se repete com relevância. As festas eram registradas, dentre outras, pela arte da fotografia e publicadas pelo Jornal oficial A União. Havia uma preocupação com a fabricação de um imaginário que o governo queria projetar no universo social.

2- DISCUSSÃO HISTORIOGRÁFICA
Seria impossível fazer uma densa revisão historiográfica sobre a chamada “Era Vargas” em um projeto de pesquisa que impõe limites de páginas. Sendo assim, tenho consciência que vou fazer recortes e selecionar apenas as matrizes teóricas de interpretação do Estado Novo, descartando trabalhos que cobrem o período anterior a 1937. Mesmo dentro desse recorte temporal, outras escolhas serão feitas, a exemplo de algumas obras e tantas outras, não menos importantes, não serão mencionadas.
As interpretações do populismo, hegemônicas até os anos 1970 , utilizavam o método amplo cujo recorte temporal se iniciava com o movimento de 1930 e terminava com o de 1964. Não levavam em considerações as especificidades conjunturais, e sim, consideravam esse longo período de trinta anos como uma etapa do capitalismo brasileiro. Evidentemente, que são abordagens perfeitamente coerentes com as questões políticas e epistemológicas correntes na época de sua elaboração, e, vistas no seu tempo histórico, cumpriram importante papel, mesmo que hoje sejam criticadas.
Posterior à década de 1970, na já citada crise paradigmática, o populismo passa a ser reinterpretado: os historiadores passam a fazer recortes mais específicos e passam também a privilegiar as experiências dos sujeitos em vez do determinismo das estruturas. Nesse particular, questionam a idéia de passividade do sujeito e buscam compreender os interesses das massas em apoiarem o governo Vargas, por exemplo, dentro de sua consciência e não como massa de manipulação e manobra.
Sobre o Estado Novo, especificamente, a bibliografia está agrupada em três linhas: a) estudos que procuram mostrar a política trabalhista como uma conquista da classe trabalhadora (Evaristo Moraes); b) estudos que defendem a tese da hegemonia e da autonomia do Estado na condução do processo histórico (Leôncio Martins Rodrigues); e, c) estudos que relacionam o processo de forma direta aos interesses do capital industrial (Luiz Werneck Vianna).
Com a renovação na Historiografia Brasileira, o período passou a ser visto por outros ângulos, com os quais pretendo dialogar na minha pesquisa. A História Política relacionada à Cultural tem rendido novos e inéditos trabalhos. O livro Estado novo: ideologia e poder (1982), organizado pelos pesquisadores do CPDOC; A Invenção do trabalhismo, de Ângela de Castro Gomes; O Anti-semitismo na era Vargas: fantasmas de uma geração, de Maria Luiza Tucci Carneiro; Felinto Muller: memória e mito, de Stella Maria Floresani Jorge; Música, nação e modernidade: os anos 20 e 30, de Arnaldo Daraya Contier; Tecendo o amanhã: a história do Brasil no ensino secundário: programas e livros didáticos- 1931-1945, de Luiz Reznik; são alguns exemplos de trabalhos voltados para a área da cultura política.
Sobre a Paraíba, existem vários trabalhos que discutem o período que proponho estudar. Alguns deles, não recortam, necessariamente, no Estado Novo, mas focam no objeto Revolução de 1930, que considero pertinente para compreender o Estado que emerge, sobretudo, a partir do golpe de 1937.
Uma primeira matriz de interpretação é oficial, maniqueísta e apologética do presidente João Pessoa. (VIDAL, 1978; ALMEIDA, 1978; FREIRE, 1944;)
A historiografia perrepista publicou apenas um livro, que circulou de forma clandestina e, também, maniqueísta, constrói outra versão para os incidentes de 1930, desqualificando o presidente João Pessoa e defendendo o advogado João Dantas.
Mesmo elaborando versões diferentes sobre a conjuntura de 1930 na Paraíba, essas duas linhas de interpretações acima citadas tinham em comum o fato de serem uma escrita da história fundamentada na escola metódica e fora do âmbito acadêmico.
Oriundos dos programas de Pós-Graduação dos anos 1970, outros trabalhos viriam estudar o mesmo tema. Caminha (1978) estudou numa perspectiva sociológica do mandonismo local, a Guerra de Princesa e o conflito entre José Pereira e João Pessoa; Mello (1984) estudou a Revolução de 1930 na Paraíba como uma revolução para dentro do Estado, defendendo que o governo João Pessoa antecipou na Paraíba o centralismo estatal que viria com a Era Vargas; Gurjão (1994), numa perspectiva marxista, demonstra que não houve revolução na Paraíba, e sim, uma troca de oligarquias, após o movimento de 1930; Santana (1999) centrou seu estudo no argemirismo que coincide com o Estado Novo, para a autora, foi com esse governo que houve a reacomodação oligárquica na Paraíba; Guedes (2007), diferentemente da anterior, aponta que essa reacomodação foi realizada já em 1932, durante a gestão de Antenor Navarro, porém, por cima, quando José Américo ocupava o cargo de Ministro de Viação e Obras Públicas de Vargas; Aires (2006), numa perspectiva da cultura política, estudou os conflitos de memórias e simbologias entre os perrepistas e liberais na Paraíba; Costa (2007) estudou as Noelistas, grupo de mulheres da ordem, ligadas à Igreja Católica e ao Estado Novo, que lutavam contra as idéias feministas e em favor de uma identidade feminina tradicional.
Dos trabalhos citados, apenas quatro cobrem o período do Estado Novo: os de Gurjão, Santana, Aires e Costa. No entanto, o que pretendo com o presente projeto, difere dos dois primeiros, que fizeram a discussão do Estado numa perspectiva marxista; difere dos dois últimos no sentido de que, não obstante tenham sido fundamentados numa perspectiva da cultura política, o de Aires foca o conflito de memórias em torno de 1930 e a construção da mitificação de João Pessoa, ao passo que o de Costa discute a questão de gênero no contexto dos anos que cobrem o Estado Novo. Minha intenção é pesquisar os governos Argemiro de Figueiredo e Rui Carneiro, interventores paraibanos nomeados por Vargas, pelo prisma da “teatrocracia” .

3- JUSTIFICATIVA

A maioria dos estudos sobre o Estado Novo, sobretudo, os que tratam da questão da cultura, tem focado outras linguagens, a exemplo do teatro, patrimônio cultural, cinema e música, e suas apropriações pelo governo Vargas na busca da definição da identidade nacional. (BOMENY, 2001).
Na historiografia paraibana, os estudos sobre o período têm centrado a discussão numa perspectiva marxista ou da “sociologia do mandonismo”, conforme demonstro na análise historiográfica desse projeto.
Posto isso, entendo que o projeto que proponho, vem suprir uma lacuna na historiografia paraibana , ao procurar trabalhar a Paraíba no contexto do Estado Novo numa outra perspectiva teórico-metodológica, a da cultura política.

4- OBJETIVOS
4.1- OBJETIVO GERAL
• Investigar os significados e práticas culturais contidas nas festas cívicas no decorrer do Estado Novo na Paraíba, buscando compreender as produções e recepções da pedagogia da festa, bem como os conflitos inerentes a ela.

4.2- OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Analisar as estratégias de política cultural do Estado Novo, relacionando os contextos local e nacional;
• Observar as intencionalidades do Estado paraibano no tocante à constituição da teatralização do poder, expressa nas festas cívicas e suas práticas materiais e simbólicas;
• Investigar as representações e práticas culturais constituintes da política do Departamento de Estatística e Publicidade (DEP) paraibano, relacionadas às festas cívicas no contexto do Estado Novo;
• Compreender a recepção do Estado Espetáculo por parte das “classes populares”.

5- DISCUSSÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA
O trabalho que proponho desenvolver, a partir desse projeto, caminha na linha da nova história política, de uma redescoberta da esfera do poder à luz dos debates interdisciplinares com a antropologia.
A História política tradicional, heroicizante, évenementialle (factualista), cujas raízes podem ser encontradas em Tucídides, vai ser consolidada no século XIX, com o alemão Leopold Von Ranke e as pretensões de criar a História científica “livre” da influência da filosofia. Há, portanto, uma continuidade no tocante à história política tradicional, desde a Grécia antiga, passando pelo medievo cristocêntrico e adentrando pela modernidade humanista cientificista, dos antiquários aos iluministas. Isso, claro, levando em consideração os contextos diversos, porém, ressaltando o ponto comum de considerar a História como as ações de alguns “grandes” sujeitos individuais responsáveis pelo processo linear e evolutivo do caminhar da humanidade.
No próprio século XIX, a crítica a esse paradigma historiográfico já está em evidência, não obstante ser exceção. Vainfas (1997) chama a atenção para o fato de que nem tudo que se produziu no século XIX, foi história política tradicional. No próprio campo historiográfico, já figuravam exceções, a exemplo de Gibbon, Fustel de Coulanges, Huizinga, Jacob Burckhardt e Michelet. Este, por exemplo, já utilizava a fonte oral. No campo das outras ciências humanas, a crítica não ficava por menos, na sociologia (Durkheim), na antropologia (Lévy-Bruhl), na economia (Simiand) e na geografia (Paul Vidal de La Blache).
Com a Escola dos Annales, a crítica à história política tradicional é evidente. No entanto, concordo com Burke (1997) e com Rémond (1996) quando afirmam que a 1ª e a 2ª geração, mesmo dando ênfase às estruturas sócio-econômicas e mentais, não abandonaram a história política. Houve uma ressignificação do político. O que seria o clássico Os Reis Taumaturgos, de Bloch, senão, um trabalho de antropologia política? Braudel, a figura emblemática do estruturalismo na História, não abandonou as batalhas e ações políticas e militares, mesmo colocando-as na terceira parte da sua tese sobre o Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na época de Felipe II.
No final da década de 1960, no contexto da crise paradigmática e da eclosão de diversos movimentos sociais, assim como da aposentadoria de Braudel, a história política toma dimensão no debate acadêmico. Não há um retorno à história política, como assinala Rémond(1996) e Julliard(1988), pois a discussão não é a mesma do século XIX, e sim, uma renovação a partir do simbólico, do cultural, em interface com a antropologia. (BALANDIER, 1982).
O objeto Festa tem despertado interesse pela historiografia internacional e brasileira, sobretudo, a partir da década de 1970, no contexto da crise dos paradigmas. Há uma variedade de festas que podem ser estudadas, entre essas, as de caráter religioso, profano (carnaval, por exemplo) e as festas cívicas (também profanas, às vezes revestidas de caráter sagrado). Não vou me deter nas várias tipologias, e sim, focar nas festas cívicas, uma vez que são nelas que o objeto desse projeto se enquadra.
É o que podemos perceber com os trabalhos de Ozouf e Vovelle, sobre as comemorações da Revolução Francesa, e de Hobsbawm, que também estudou os “Ecos da Marselhesa”. No Brasil, Souza(1999) estudou as festas cívicas no contexto do Império; Bittencourt(2006) se deteve em analisar as festas cívicas nos primeiros anos da República, focando-as nas comemorações realizadas nas escolas paulistas; Oliveira (1989) investigou as intencionalidades do calendário cívico republicano; Del Priore (2000), por sua vez, as estudou no contexto da América Portuguesa; Albuquerque (2002) analisou as comemorações da Independência na Bahia; Moura (1995) estudou as comemorações do bandeirismo paulista no contexto da São Paulo dos anos 1950; Lyra (1995) concentrou suas atenções nas memória da Independência e suas representações simbólicas.
Diante do exposto, gostaria de situar, no plano teórico-metodológico, o presente projeto de pesquisa. Pretendo trabalhar com os conceitos de imaginário , cultura política e teatralização do poder (Balandier). Não menos importante será a leitura de Chartier para fundamentar as investigações sobre representações, apropriações e práticas culturais nas festas cívicas que objetivo pesquisar. Imaginário, representações, práticas e teatrocracia, serão conceitos importantes para pensar o objeto de estudo que proponho. Entretanto, mesmo reconhecendo que os aspectos subjetivos são igualmente relevantes para os estudos do poder, da política e do Estado, não comungo com as matrizes nominalistas que dão ênfase à linguagem como auto-referente. Na relação entre imaginário e “real”, nem trabalho na perspectiva da imagem-mímese, como reflexo absoluto da realidade, nem da imagem-ficção, da mimese - nenhuma. Desse modo, procuro seguir nos caminhos de uma história cultural que, embora heterogênea, não abre mão do campo representacional. Como assinala Pesavento (1995, p. 24):
O imaginário é, pois, representação, evocação, simulação, sentido e significado, jogos de espelhos onde o´verdadeiro` e o aparente se mesclam, estranha composição onde a metade visível evoca qualquer coisa de ausente e difícil de perceber. Perseguí-lo como objeto de estudo é desvendar um segredo, é buscar significado oculto, encontrar a chave para desfazer a representação do ser e parecer.

Outro interlocutor fundamental para nossa pesquisa é Alcir Lenharo. Sua obra, Sacralização da Política, em muito nos ajudará a acompanhar a simbologia do Estado Novo no Brasil, sobretudo, o apelo feito ao imaginário cristão para legitimar um regime autoritário e construir um mito político. Certamente, a leitura dessa obra será fundamental para pensarmos a questão paraibana no contexto nacional.
Em suma: a fundamentação desse trabalho é a Nova História Política, tomando como característica comum a interface política-cultura.

6- DEFINIÇÃO DAS FONTES E METODOLOGIA

Inicialmente, irei fazer as leituras da historiografia brasileira e paraibana sobre o Estado Novo, a fim de compreender as diversas contribuições trazidas pela a escrita da História sobre o objeto em questão. Essa leitura historiográfica será igualmente relevante para a minha compreensão do contexto da macro história, no qual situarei o micro recorte espacial que escolhi para essa pesquisa. Isso porque entendo que fazer um trabalho de História Cultural, fragmentado, sem conexões entre o simbólico e o material, é bastante problemático, para não dizer reducionista e culturalista.
No que tange às fontes históricas, meu objetivo é fazer um cruzamento das mesmas, utilizando a documentação oficial, como legislação, discursos, jornais, iconografias.
Os jornais A União, órgão oficial e A Imprensa, ligado à Igreja Católica, faziam cobertura das festas cívicas, trazendo atos administrativos, programações, iconografias, discursos, que possibilitarão o estudo da simbologia e das práticas culturais contidas nas festas cívicas paraibanas no contexto do Estado Novo. No jornal O Clarin, ideologicamente comprometido com as “classes populares”, pretendo compreender a recepção que os “de baixo” faziam dessas festas cívicas. Quanto à documentação do Departamento de Estatística e Propaganda (DEP), órgão que antecedeu a criação do DIP, no plano nacional, sua relevância para essa proposta de trabalho reside no fato de que a mesma trará as diretrizes traçadas pelos intelectuais que pensavam e realizavam as festividades cívicas no decorrer do Estado Novo na Paraíba.
Quanto aos métodos de pesquisa, tenho em mente caminhar na linha do paradigma indiciário, procurando indícios, pistas, sinais que conduzam a evidências das práticas, recepções e resistências d (n)as festas cívicas paraibanas no contexto do Estado Novo.
Como vou utilizar imagens visuais como documentação, pretendo percorrer os caminhos metodológicos da iconografia, embora tenha que ir além do método do historiador da arte Erwim Panofsky. Segundo Burke (2004, p.52), os historiadores culturais precisam da iconografia, porém, devem ir além dela. É preciso que apliquem a iconologia de forma mais sistemática, o que pode incluir o uso da psicanálise, do estruturalismo ou da semiótica e da História Social da Arte.
Nesse projeto, pretendo enveredar por este último caminho metodológico. Consoante Burke (2004), a História Social da Arte é um verdadeiro guarda-chuva que abrange uma variedade de enfoques. Diferentemente de Panofsky, os historiadores sociais da arte, a exemplo de Frederick Antal e Arnold Hauser, se preocupavam em analisar as imagens no seu contexto social, incluindo o político, cultural, material, etc.
Entre os nomes mais emblemáticos, podemos citar: a) Arnold Hauser (que via a arte como o reflexo da sociedade); b) Francis Haskell (que concentrou suas atenções no pequeno mundo da arte e na relação entre artistas e patrocinadores); c) Linda Nochlin e Griseuda Pollock (teóricas feministas que estudavam as relações entre a arte e a questão de gênero); e d) David Freedberg e Michael Fried (teóricos da recepção, que estudam como as sociedades e culturas diversas recebem e constroem significados diferentes para a mesma obra de arte).


Entre as fontes a serem pesquisadas, incluem-se:

ARQUIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA PARAÍBA (IHGP)

• Jornal A União (1937-1945);
• Conferência intitulada O Dia da Pátria, proferida por José Batista de Mello na Revista nº 9 do IHGP (1937).

ARQUIVO MAURÍLIO DE ALMEIDA

• Jornal O Clarim (1939-1940);


ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA PARAÍBA: FONTES IMPRESSAS OFICIAIS
• Atualidade Paraibana. João Pessoa: Departamento Estadual de Estatística (Serviço de Divulgação e Propaganda), Imprensa Oficial, 1938;
• A Paraíba em continência ao Estado Novo, à República e à Bandeira. João Pessoa: Departamento Estadual de Estatística (Serviço de Divulgação e Propaganda), Imprensa Oficial, 1940;
• Coleção de Leis e Decretos do Governo da Paraíba- 1930-1941. João Pessoa: Imprensa Oficial, 1943.
• 5 Anos de Governo (Reportagens das festas do quinto aniversário do Governo Argemiro de Figueiredo e uma síntese das suas impressionantes realizações sociais e econômicas), João Pessoa: Departamento Estadual de Estatística (Serviço de Divulgação e Propaganda), Imprensa Oficial, 1940;

ARQUIVO DA CÚRIA METROPOLITANA
• Jornal A Imprensa (1937-1945).

ARQUIVO DO NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO DE HISTÓRIA REGIONAL (NIDIHR)- UFPB
• Iconografia (fotografias das décadas de 1930/40)

ARQUIVO DO CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (CPDOC/FGV)
• Iconografia (Fotografias das décadas de 1930/1940)



8- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, fica demonstrada a necessidade de pesquisas inseridas na perspectiva da cultura política paraibana, buscando, assim, elucidar outros mecanismos de controle social e legitimação de poder, também muito eficazes na visão dos diversos governos e regimes políticos.
Com essa proposta de pesquisa, estarei contribuindo para a renovação da História política paraibana, muito embora esteja estudando um recorte específico, mas espero demonstrar a relevância da perspectiva da cultura política para pensarmos outros recortes temporais.

9- OBRAS CITADAS E BIBLIOGRAFIA BÁSICA PARA O PROJETO

ALMEIDA, José Américo de. O Ano do Nego: Memórias. Rio de Janeiro: Gráfica Record Editora, 1968.

ALBUQUERQUE, Wlamira R. de. Patriotas, Festeiros, Devotos: As comemorações da Independência na Bahia (1888-1923). In: CUNHA, Maria Clementina Pereira. Carnavais e outras F(r)estas (Org.). Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2002.

BALANDIER, George. O Poder em cena. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1982.

BITTENCOURT, Circe. As “Tradições Nacionais” e o Ritual das Festas Cívicas. In:
PINSKY, Jaime (Org.) O ensino de História e a criação do fato. 12.ed. São Paulo: Contexto, 2006, p.43-72.

BOMENY, Helena. (Org.) Constelação Capanema: Intelectuais e Políticas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001.

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_______. O que é História Cultural? Tradução de Sérgio Góes de Paula. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

_______. Testemunha Ocular: História e Imagem. São Paulo: EDUSC, 2004.

CALDAS, Joaquim Moreira. Porque João Dantas Assassinou João Pessoa: O Delito do “Glória” e a Tragédia da Penitenciária do Recife em 1930. Rio de Janeiro: Est. de Artes Graphicas Mendes Júnior, s/d.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Estado Novo: Novas Histórias. In: FREITAS, Marcos Cezar (Org.) Historiografia Brasileira em Perspectiva. 6.ed. São Paulo: Contexto, 2005.

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INVENTANDO TRADIÇÕES, CONSTRUINDO MEMORIAS: A “REVOLUÇÃO DE 1930” NA PARAIBA

O mito, segundo Eliade (apud Castelo Branco, 2005, p. 28), tem como principal função “[...] revelar os modos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas: tanto a alimentação ou o casamento, quanto o trabalho, a educação, a arte ou a sabedoria”. Acrescenta Castelo Branco (2005, p. 28) que

[...] ele revela modelos significativos numa dada sociedade, que devem ser seguidos pelos mais jovens, para manterem as tradições passadas, repetindo rituais e práticas que seus antepassados fizeram. Daí uma necessidade de uma sacralização da realidade para garantir a repetição da atmosfera mítica, sobrenatural, em que os mitos são revelados em cerimônias sagradas ou em rituais de passagem. É através do poder dos ritos que os mitos se repetem, reatualizando-se, tornando-se vivos novamente e dinâmicos.

Esse aporte conceitual é de valor considerável para a reflexão sobre a construção do mito João Pessoa, cuja discussão iremos focar nesse artigo. Desde o dia do assassinato do, então, presidente paraibano, foi se criando uma atmosfera mítica em torno de seu nome, santificando-o, heroicizando-o e cultuando a sua “martirização”. No imaginário coletivo, ele “obrava milagres”, seu espírito era bastante invocado para resolver questões terrenas. Os vitoriosos de 1930 o tomam como exemplo a ser seguido e passam para a sociedade a mesma missão: seguir os passos do “grande paraibano”, “bravo” e “resistente”.
A tese central dessa discussão consiste na compreensão de que o processo de construção da memória mitificada de João Pessoa, e na invenção de tradições apelando para seu nome, atendeu a objetivos distintos, porém, convergentes: a) legitimar o golpe de Estado tramado por uma corrente da Aliança Liberal, ocorrido em outubro de 1930; e b) legitimar o Estado que se estrutura a partir do referido golpe. Nossas investigações históricas percorrem uma temporalidade convencional, a chamada Era Vargas (1930-1945), o que não impede, em outros momentos, de problematizarmos a permanência de uma cultura histórica heroicizante para além desse recorte temporal, esbarrando na contemporaneidade.
Nesse artigo, porém, investigaremos a institucionalização de alguns lugares de memória do presidente João Pessoa, criados no calor dos acontecimentos, entre o assassinato (26 de julho de 1930) e a tomada do poder (24 de outubro de 1930).

DE SANTO A HERÓI: JOÃO PESSOA NO MEIO DAS RUAS, PRAÇAS E AVENIDAS

Conforme definição de Carvalho (1990, p. 55):

Heróis são símbolos poderosos, encarnações de idéias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos.

Para o mesmo autor, não há regime político que não cultue seus heróis e não possua seu panteão cívico. Em alguns casos, os heróis surgem quase que espontaneamente, a partir das lutas que antecederam a nova ordem. Em outros, de menor profundidade popular, foi necessário esforço na escolha e na promoção do herói. A ausência da participação popular na implantação do regime republicano leva à compensação por meio da mobilização simbólica (CARVALHO, 1990, p.55).
Se, no caso da proclamação da República brasileira, diante da “bestialização” da população, foi preciso a tal mobilização simbólica para “formar almas” em prol do regime político, no caso da “revolução” de 1930, não se pode dizer que ocorreu da mesma forma. Houve a participação de segmentos médios urbanos em mobilizações de rua por parte da Aliança Liberal; houve a presença de segmentos que, entre a morte de João Pessoa e a tomada do poder, estiveram nas ruas, ora chorando o “mártir”, ora vibrando com seu herói. Concomitantemente, uma corrente da Aliança Liberal articulava o golpe de Estado, iniciado na madrugada de 03 de outubro, na Paraíba, que culminou com a deposição do presidente da República, Washington Luís, em 24 seguinte, no Rio de Janeiro. Mesmo assim, foi necessária a mobilização simbólica.
A construção histórico-cultural do “herói” João Pessoa se insere na primeira tipologia enunciada por Carvalho (1990, p. 55), surge no interior das lutas que antecederam o novo regime, cultuado pela população. Ao contrário das batalhas disputando o papel de “herói” da proclamação, João Pessoa não encontrou concorrente no tocante a ser “herói” da “revolução”. A Aliança Liberal na Paraíba, vitoriosa em 1930, digladiou, até internamente, do ponto de vista político e ideológico, mas nenhuma de suas alas abriu mão do nome de João Pessoa como o herói de 1930.
A partir daquele ano, seu nome passou a denominar ruas, praças e avenidas espalhadas pelas capitais do Brasil, transcendendo os limites geopolíticos da Paraíba, considerado a dimensão nacional do símbolo-mor da Aliança Liberal.
O historiador Robert Levine aponta na direção da pouquíssima popularidade da figura de Vargas em 1930. Segundo o brasilianista:

Fora do Rio Grande do Sul, praticamente, ninguém sabia nada sobre Getúlio Vargas, quando de sua passagem pelo ministério de Washington Luís ou pelo Palácio do governo em Porto Alegre. As fotografias nos jornais (e cinejornais, num preto e branco granulado), apresentaram aos brasileiros durante a campanha presidencial de 1930 e, depois, já como chefe de estado. O rádio contribuiu para aumentar muito o contato de Vargas com o público (LEVINE, 2001, p. 141).

Nesse particular, concordamos com Levine. Vargas não era tão conhecido em 1930 como seria depois, sua popularidade e mitificação serão construídos no decorrer dos dezenove anos (somando os seus dois governos) à frente do governo brasileiro, sendo o suicídio e a carta-testamento elementos simbólicos que iriam coroar seu “heroísmo”, com o rádio exercendo papel de destaque no culto a sua personalidade. Mesmo assim, nas eleições de março de 1930, ele protagonizava o grupo oposicionista ao oficialismo cateteano. No entanto, a partir de julho seguinte, os papéis se invertem e, morto, João Pessoa passa a representar o verdadeiro mito em nome do qual se fará a tomada do poder, decretando, assim, o fim da “República Velha”.
Destarte, a criação de lugares de memória em torno dos quais girava o nome do ex-presidente paraibano, não se fez apenas no plano estadual, mas também na esfera nacional. Se as missas realmente conduzirem os espíritos a Deus, a julgar pela quantidade das celebradas pelos quatro cantos do Brasil, João Pessoa, certamente, deve ter chegado direto ao céu sem conhecer sequer o purgatório.
Segundo depoimento de Manuel Dantas Vilar Filho, o palanque político da Aliança Liberal foi remontado para nele subir o cadáver de João Pessoa. Vejamos como se expressa a fala de um sujeito politicamente marginalizado pela oficialidade:

Pois bem, aí com a morte dele (João Pessoa) serviu de destaque, veja que detalhe curioso. Ele era o presidente do Estado no exercício do poder, foi assassinado, o cadáver foi trazido pra capital depois foi posto num caixão, num navio, foram até o Rio Grande do Sul em cada porto descia faziam um comício retomando o movimento da chamada Aliança Liberal que tinha sido derrotada na eleição de março, tá certo? Inauguravam uma rua com o nome dele, tá certo? Quer dizer, a grande dimensão dele foi gerar um cadáver. 8 (Grifos nossos).

Ocorre certo exagero no depoimento quando o entrevistado afirma que o cadáver de João Pessoa foi até o estado do Rio Grande do Sul. De fato, foi até o Rio de Janeiro, sendo sepultado no cemitério São João Batista. Entretanto, pelo que noticiou o Jornal A União, procede a afirmativa de que o navio Rodrigues Alves, que conduzia o corpo, ancorava em alguns portos para que o morto fosse cultuado pela população, como em Recife, Maceió e Salvador.
Na capital federal, não seria diferente. Pelo contrário, lá estava o Catete, que se encontrava com um inquilino perrepista com os dias contados. Destarte, ter sido sepultado no Rio de Janeiro não atendeu apenas a razões de âmbito pessoal, qual seja, o fato de lá residirem sua esposa e filhos. Também teria atendido a questões políticas, com a “peregrinação do corpo” por vários estados, parando para descanso eterno justamente na cidade centro do poder do país. O choro da população não se resumiu ao estado da Paraíba, era pertinente fazer “vasos de lágrimas” acompanharem o navio com o corpo de João Pessoa, arregimentando apoio para a tomada do Catete das mãos de Washington Luís. Na Praça Mauá, Pinheiro Chagas falou em nome do estado de Minas Gerais, enquanto o tribuno e político Maurício Lacerda assim se expressou, representando o estado do Rio de Janeiro:

Cidadãos! Mirai este esquife! Morrei por este homem que por vós morreu. Ajoelhem-se e deixem passar o cadáver deste Cristo do civismo! E ergam-se, depois, para ajustar contas com os Judas que o traíram. (Grifos nossos).

Podemos perceber, nitidamente, uma tentativa de associar o mártir cívico ao mártir religioso, remontando, de certo modo, à cristianização da memória medieval do Ocidente. A idéia maniqueísta está bastante explícita nesse discurso, onde João Pessoa é associado a Jesus Cristo, o “bem”, o “salvador”, o que doou sua vida em prol da humanidade; e nesse caso, Judas seriam os “perrepistas”, os “traidores”, o “mal”, aqueles em quem se deveriam jogar pedras, como reza a tradição.
Para José Murilo de Carvalho, (1990, p.67), o apelo à tradição cristã do povo é uma forma de santificar “heróis” cívicos e legitimar o regime político vigente. Se os republicanos brasileiros, após a proclamação, escolheram Tiradentes como seu “herói”, figurado como Cristo, os aliancistas buscarão em João Pessoa algo semelhante. A propósito, merece citarmos uma nota divulgada pela Liga Nacionalista do estado do Pará, celebrando a martirização do presidente paraibano:

Na hora em que a usina da Pará Electric apitar, a Hóstia Sagrada está sendo levantada na Cathedral, e em cada coração uma prece a Deus pedirá á paz na Parahyba. A cidade paralizará o seu movimento por três minutos e todos os brasileiros, de pé, prestarão uma homenagem cívica á memória do inolvidável João Pessoa e a terra cuja autonomia elle defendeu até a última gota de sangue (Jornal A União, 6 set. 1930 - grifos nossos).

Analisando os fatores que influenciaram na escolha de Tiradentes como o “herói” da República Brasileira, Carvalho (1990, p.67), elencando seus concorrentes, tais como Frei Caneca, conclui que este “morreu como herói desafiador, quase arrogante, num ritual de fuzilamento”, enquanto Tiradentes teve um cerimonial de enforcamento comparado à crucificação de Cristo e morreu passivamente, traído por Joaquim Silvério dos Reis, o “Judas” da Inconfidência Mineira.
Com João Pessoa, ocorre essa analogia. Ele passa a ser o âmago da Aliança Liberal, pela forma como morreu, “defendendo” a autonomia da Paraíba “até a última gota de sangue”, conforme podemos notar na leitura do documento acima citado.
A historiografia oficial, a reboque de Ademar Vidal, construiu a idéia de um complô organizado por João Dantas, Augusto Moreira Caldas, João Suassuna e outros, para assassinar o presidente da Paraíba. Este terá sido vítima dessa “traição”, tendo sido pego de surpresa na Confeitaria Glória, morrendo sem ter direito de defesa. A partir de então, seu corpo passou a ser cortejado e sua alma passou a ser santificada. Além das missas, a que nos reportamos em momento anterior, outras formas de religiosidade popular foram praticadas. O Jornal A União descreve as romarias organizadas com destino à Praça João Pessoa, nas quais as pessoas rezavam em torno de um retrato do presidente morto, ali instalado. Ademar Vidal ressalta que, durante o velório, “os romeiros trazem flores e levam as que já murcharam. Fazem promessas. Relíquias que servem talvez para remédio. João Pessoa santificado pelo seu povo”. (VIDAL, 1978, p. 313).
Observando o arquivo pessoal de João Pessoa, sob a guarda do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, podemos perceber a santificação do ex-presidente, construída em forma de cartas, mensagens e poemas, como o que vemos a seguir:

Um bandido covarde fez um santo
E muita gente vai se admirar,
Porém o Caso de João Pessoa
Bem analysado é fácil de explicar.
(...)
João Pessoa é hoje para mim um santo
A quem eu não me canso de adorar,
Já não precizo freqüentar igrejas
Por que tenho aqui este santo e seu altar.

O Christo foi justo e sacrificou-se
Para salvar a humanidade inteira,
João Pessôa morreu com Christo
Pela salvação da raça brasileira.

Hoje imploro a Deus a sua piedade
Para nossa Pátria que é muito bôa,
Não essa Pátria de Seu Zé Pereira
E sim a Pátria de João Pessôa.

Para provar quanto adoro a este santo
Deixo escripto nestes versos a minha fé,
Desculpe-me a falta de grammática
Pois eu não sou literato, e sim, chauffeur.

(Arquivo Privado de João Pessoa, IHGP).


Em consonância com o que afirma Le Goff, (1992, p. 446), ao analisar a memória medieval do Ocidente, se a memória cristã se manifesta essencialmente na comemoração de Jesus, anualmente, na liturgia que o comemora do Advento ao Pentecostes, através dos momentos essenciais do Natal, da Quaresma, da Páscoa e da Ascensão, e cotidianamente, na celebração eucarística, a um nível mais “popular”, cristalizou-se, sobretudo, nos santos e nos mortos. Os mártires eram testemunhos. Depois da morte, cristalizava-se em torno da sua recordação a memória dos cristãos.
Entendemos como importante esse referencial para pensarmos a construção das noções de martirização e santificação de João Pessoa, mediante práticas de religiosidade popular. E, contrariando o ditado que diz que “santo de casa não obra milagre” o presidente da Paraíba “obrou milagre” na imaginação popular, como veremos:

Um milagre de João Pessoa
Esteve hontem em nosso Gabinete redaccional a velhinha Maria Lyra que nos contou o seguinte:
Que dois filhos seus incorporaram-se ás tropas revolucionárias; um no 22 B.C. actualmente na Bahia, o outro no 8 B.C. de Porto Alegre.
De alguns dias para cá as notícias escassearam e os boatos começaram a chegar-lhe aos ouvidos de que os dois rapazes já não viviam.
Contrariada e ferida no âmago coração de mãe, ella fizera piedosas prece diante da effigie sagrada do immortal João Pessôa, para que lhe chegasse notícias dos seus filhos.
Dois dias depois ella recebia carta e telegramma dos dois entes queridos.
(Jornal Correio da Manhã, 8 nov. 1930)


Morto tragicamente e “traído” por antigos aliados, João Pessoa “operava pelo sacrifício, no domínio místico, a salvação que não pudera operar no domínio cívico”. (CARVALHO, 1990, p.68) Vivo, não conseguiu vencer as eleições presidenciais de março de 1930; além disso, teve a bancada federal da Paraíba depurada pelo Congresso Nacional e não conseguiu vencer os rebelados de Princesa Isabel. Morto, porém, conseguiu realizar dois dos três objetivos, pois, como frisamos desde o início, sua memória mitificada seria elaborada pela corrente “revolucionária” da Aliança Liberal para rearticular os planos do golpe de Estado. Na madrugada de 3 para 4 de outubro, tem início, na Paraíba, o movimento que, no dia 24 daquele mês, depôs Washington Luiz e impediu a posse de Júlio Prestes. Cumpria-se o primeiro objetivo. Antes disso, Princesa já havia sido ocupada mediante intervenção federal, pondo fim à guerra que, há mais de seis meses, assolava o estado. José Pereira derrotado, cumpria-se o segundo objetivo. Só não se realizou o terceiro porque Getúlio Vargas governou de forma autoritária, com o Congresso Nacional fechado durante a maior parte de sua longa gestão; dessa maneira, a bancada federal paraibana eleita, da Aliança Liberal, não retornou ao Congresso.
Parece haver consenso na historiografia paraibana no tocante à influência da morte de João Pessoa para a concretização do movimento de outubro de 1930. Parece-nos interessante citar uma observação feita pelo governador perrepista de Pernambuco, Estácio Coimbra, na qual afirmava, após a morte de João Pessoa, que “a Aliança Liberal agora tem um mártir” (VIDAL, 1978, p. 178).
Em nossa concepção, é procedente essa afirmação. A morte de João Pessoa tem um peso importante no que concerne à efervescência e à reorganização da Aliança Liberal, de tal maneira que a construção de sua memória será a munição fundamental para a retomada dos planos golpistas costurados a nível nacional, com ponta-pé inicial na Paraíba. Portanto, João Pessoa, naquele momento, seria o maior símbolo nacional da Aliança Liberal e, a partir de seu nome, seriam inventadas tradições e construídos lugares de memória.
Em pesquisas que realizamos no site das Empresas de Correios e Telégrafos, podemos nos dar conta da dimensão do mito João Pessoa pelo Brasil afora. Das vinte e seis capitais brasileiras, apenas em sete delas não encontramos uma rua com o nome do ex-presidente da Paraíba.
As páginas do Jornal A União estão repletas de telegramas comunicando ao governo da Paraíba ou à redação do próprio periódico a substituição de nomes de ruas, praças, avenidas e povoados pelo nome de João Pessoa. Ainda em setembro do mesmo ano, pelo decreto 1804, do intendente do Conselho Municipal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, João Crespo, a antiga Rua da Liberdade passava à denominação de Rua João Pessoa. Interessante chamarmos atenção para o fato de ser, o Rio Grande do Sul, um dos estados que compunham a Aliança Liberal.
No entanto, a maioria de atos semelhantes ou parecidos só ocorreria após a tomada do poder pelos aliancistas, em outubro de 1930, certamente por sofrerem antes, restrições perrepistas. Daí em diante, podemos enumerar alguns, dentre eles: a) o novo prefeito de Recife decreta que a principal rua da cidade terá a denominação de João Pessoa; b) o prefeito Luiz Coelho Alves da Silva, de Rio Branco (PE), muda o nome da Rua da Estação para Praça Presidente João Pessoa; c) em Quebrângulo (PE), o prefeito José Vieira coloca o nome de João Pessoa na rua da Matriz; d) em Queimadas (PE), o prefeito denomina uma rua de João Pessoa; e) em Palmas, o nome de João Pessoa vai se instalar em uma praça; f) no município de Luiz Gomes, o prefeito Fernando Sobrinho transforma o nome da povoação de Malta em João Pessoa; g) o prefeito do Rio de Janeiro, Adolpho Bergamini, coloca o nome de João Pessoa na Praça do Governador; h) em Novo Exu (PE), o prefeito Manuel Ayres muda o nome da antiga Rua Renato Barroso para Rua João Pessoa; i) em Manaus(AM), a Praça Gonçalves Ledo passa a ser denominada Praça João Pessoa; j) em Guarapava (PR), a principal praça da cidade passa a denominar-se Praça João Pessoa; e l) em Vitória(ES), o prefeito Asdrúbal Soares coloca o nome de João Pessoa em uma praça da cidade.
Caso emblemático ocorreu em Fortaleza. A Avenida João Pessoa era, anteriormente, uma estrada de barro batido, até 1929, quando Washinghton Luis mandou construí-la em concreto. Ao término dos serviços, a rua passou à denominação de Avenida Washington Luiz. Conforme assinala Miguel Ângelo de Azevedo:

(...) logo veio a Revolução de 1930 e o povo arrancou as placas e substituiu por João Pessoa, que tinha sido assassinado naquele ano e embora o crime fosse por razões pessoais a ocasião o transformou em crime político para favorecer os antagonistas da candidatura do governo (AZEVEDO, 1991).

Como podemos observar, o nome de João Pessoa morto passa, realmente, a ser o símbolo da Aliança Liberal no plano nacional. Mais do que batizar uma rua, em Fortaleza, com seu nome, é particularmente importante notarmos a substituição operacionalizada. Washington Luiz desaparecia do nome da rua como também desaparecera do Catete, não para João Pessoa, como na rua, mas para Getúlio Vargas, que assume o governo por circunstâncias de um golpe civil-militar desfechado à sombra da memória de um cadáver: João Pessoa.
Se, de norte a sul do país, a memória de João Pessoa cristalizava-se em ruas, praças, avenidas e povoados, na Paraíba não seria diferente. O Jornal A União divulgaria, à época, várias medidas tomadas pelos poderes municipais para atos semelhantes. No município sertanejo de Pombal, a Câmara Municipal aprovou a proposta do conselheiro Joaquim Josias de Souza, a qual determinava a mudança do nome da Rua da Aurora para Praça Dr. João Pessoa. No mesmo projeto de lei, havia a abertura de crédito de 200$00 destinado à aquisição de uma placa de bronze que deveria ser colocada no local.
Mesmo após a tomada do poder pela Aliança Liberal, a construção da memória de João Pessoa, confundindo-se com a memória da “Revolução de 1930”, seria exaustivamente elaborada. Em nosso entendimento, entre o assassinato do presidente e a eclosão do movimento de 1930, ocorreu um primeiro movimento dessa memória, com vistas a preparar a legitimação do golpe. Em seguida, ocorreu um segundo movimento, em que a apropriação da memória objetivou a legitimação do Estado e do grupo no poder que, então, vai se configurando e se vale da memória como recurso nesse sentido.
Em 26 de outubro de 1930, dois dias após a destituição de Washington Luis o prefeito de Bananeiras, José Antonio Ferreira Rocha, sancionou a lei nº 44, determinando a mudança do nome da Avenida Patronato para Avenida João Pessoa.
Caso semelhante é o do município de Princesa Isabel que, chefiado pelo coronel José Pereira, sustentou uma guerra de seis meses contra o governo João Pessoa, encerrada após a morte desse último. No entanto, em novembro de 1930, quando José Pereira não mais comandava o município, o novo prefeito assinou um decreto mudando o nome da Avenida Arrojado Lisboa para Avenida João Pessoa. Assim sendo, o ex-presidente paraibano adentrava às ruas de Princesa de forma simbólica, já que não o conseguira militarmente, quando enviou a Polícia Militar em investidas durante a guerra.
Em Santa Luzia do Sabugy, o prefeito Francisco Antonio da Nóbrega assinou o decreto nº 6, determinando a mudança do nome do povoado de Várzea para João Pessoa. Em Pilar, o prefeito Ambrósio Pereira deu o nome de João Pessoa a uma praça da cidade, na qual também ficava exposto o retrato do presidente morto.
No meio das ruas se consolidava uma memória oficial que plantaria sementes na cultura histórica paraibana na longa duração.


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VIDAL, Ademar. História da Revolução na Parahyba. São Paulo, Editora Nacional, 1933.

____________. Do Grande Presidente. João Pessoa: Imprensa Official, 1931.

____________. O Incrível João Pessôa. Rio de Janeiro: Editorial Universo, 1931.

____________. João Pessoa e a Revolução de 30. Rio de Janeiro: Graal, 1978.


FONTES DOCUMENTAIS

ARQUIVO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DA PARAÍBA

Livros de Atas das Sessões Legislativas (julho a setembro de 1930)
Livro de Projetos de Leis e Pareceres (julho a setembro de 1930)

ARQUIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA PARAÍBA (IHGP)

Jornal A União (1930-1945);
Jornal A União, 9 maio. 2004.
Arquivo Privado de Adhemar Vidal;
Arquivo Privado de João Pessoa;
Série Produção Intelectual (1910-1940)

ARQUIVO DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÌSTICO DO ESTADO DA PARAÍBA (IPHAEP)

Inventário de Bens Móveis e Integrados do IPHAEP.

ARQUIVO MAURÍLIO DE ALMEIDA

Jornal Correio da Manhã (1930-1933)
Jornal A Liberdade (1930)

DEPOIMENTOS ORAIS

INADI TORRES VILAR: agricultor, nascido em 2 de fevereiro de 1927. Entrevista em 23 de janeiro de 2005.

REUZA RIBEIRO DE QUEIROZ: professora primária aposentada, nascida em 5 de outubro de 1923. Entrevista realizada em 6 de fevereiro de 2005.

MAURA TAVARES DE LIMA: professora aposentada, nascida em 5 de agosto de 1937. Entrevista realizada em 22 de outubro de 2005.

MANUEL DANTAS VILAR FILHO: engenheiro civil e fazendeiro no município de Taperoá. Entrevista realizada em 11 de maio de 2006.

EDITE CORDEIRO DE SOUZA: agricultora, residente no município de São João do Cariri. Entrevista concedida em 22 de outubro de 2006.












domingo, 12 de julho de 2009

UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
CENTRO DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
CURSO DE HISTÓRIA



GRUPO DE PESQUISA E EXTENSÃO: “DETETIVES DAS HISTÓRIAS DO CARIRI”

COORDENADORES: PROFª MS. MARIA JOSÉ SILVA OLIVEIRA, PROF. ESP. ANSELMO RONSARD, PROF. MS. JOSÉ LUCIANO DE QUEIROZ AIRES E PROF. MS FAUSTINO TEATINO CAVALCANE NETO.

1-OBJETIVO GERAL

A proposta da formação de um grupo de pesquisa e extensão sobre as histórias do Cariri Paraibano, objetiva o engajamento dos alunos de graduação em História da UEPB, tanto no garimpo das fontes históricas dos diversos municípios que, historicamente, compõem essa espacialidade, como também, e, sobretudo, manter diálogos com várias instituições no tocante à políticas públicas presevacionistas. O levantamento da documentação terá por fim a produção de conhecimento histórico sobre os indivíduos e grupos sociais que urdiram tramas históricas em sua multidimensionalidade.

2-JUSTIFICATIVA

Inicialmente precisamos justificar o título. Para tanto, se faz pertinente recorrermos ao historiador Carlo Ginzburg, para quem o historiador se aproxima do detetive tanto na busca pela documentação como na forma de buscar pistas e montar interpretações sobre as tramas históricas. É por ai que precisamos caminhar, como detetives das histórias do Cariri paraibano, procurando as provas e montando os quebra cabeças peculiares ao nosso ofício de historiador.
São várias outras as justificativas para essa proposta de trabalho. Comecemos pela produção historiográfica caririzeira. Não obstante trabalhos de José Leal, Celso Mariz, Tarcísio e Martinho Dinoá, Francisco de Assis Ouriques Soares, Antonio Mariano, Dorgival Terceiro Neto, Luciano Queiroz, Faustino Neto, Georges Gaudêncio, José de Farias Brito, a produção de trabalhos ainda é quantitativamente insignificamente, diante das possibilidades diversas. O que se tem produzido na academia tem ficado trancado na gaveta do pesquisador, sem chance de publicação.
Não menos grave é o descaso da maioria da população local para com a documentação. Autoridades pouco levam a questão a sério. Com exceção da organização do arquivo do Fórum de São João do Cariri, realizada pela UFPB (Campus de Campina Grande- atual UFCG), cujo projeto foi coordenado pela historiadora Socorro Rangel, não se efetivou políticas públicas nesse sentido, bastante louváveis, inclusive. O grupo de pesquisa que propomos fundar, tem em mente salvar a documentação que nos resta, sejam elas oficiais ou particulares, assim como empreender entrevistas com base nas memórias orais da população.
Ademais, a formação do grupo, proporcionará aos estudantes de História da UEPB uma formação de pesquisador, pondo a mão na massa, de onde esperamos saírem inquietos e cheios de perguntas que poderão render futuros e bonitos trabalhos.
Este projeto, inicialmente, será executado com o apoio da UEPB, por via do Núcleo de Documentação e Pesquisa em História (NUDOPH) do Curso de Licenciatura em História e da Pró-Reitoria de Extensão. Outras parcerias serão buscadas no seu decorrer, a exemplo do IHGC (Instituto Histórico e Geográfico do Cariri), Prefeituras Municipais, Ministério Público, Igrejas, escolas, Governo do Estado e Sebrae.

3- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO- METODOLÓGICA

Memória e patrimônio cultural são as categorias emblemáticas desse projeto. Por isso, precisamos deixá-las evidentes nesse texto, tendo em vista serem polissêmicas e historicamente significadas e ressignificadas.
Halbwachs é um dos pioneiros a trabalhar com a questão da memória no campo das ciências humanas. Sociólogo durkheiminiano, nos anos 1950, escrevia o livro A Memória Coletiva, defendendo a tese de que as memórias, mesmo as individuais, são sempre memórias dos grupos aos quais o indivíduo se sente pertencer.
No entanto, hoje, os historiadores culturais, a exemplo de Pierre Nora, contestam algumas conclusões da tese de Halbwachs. Em primeiro lugar, a questão da pretensa memória coletiva e homogênea em torno do grupo social. Atualmente, com a crise paradigmática e a complexidade em vez das abordagens dicotômicas e simplificadoras da modernidade, preferimos pensar nas diferenças dentro das diferenças, ou seja, o grupo social, por menor que seja, não é tão homogêneo como pensamos. Se há traços identitários que os una, é bem verdade que há outros que se mostram conflitantes.
Também é alvo de crítica ao pensamento de Halbwachs a questão das longas permanências das memórias, como se fossem estáticas, e ao cientificismo que conferia uma busca pela verdade das memórias. Os historiadores preferem articular o tempo longo com o médio e o curto e trabalhar os conflitos entre memórias, as subjetividades das memórias, suas intenções e desejos de afirmações em detrimento de outras que são relegadas ao esquecimento, como afirma Michael Pollak.
Como bem resume a historiadora Regina Célia Gonçalves:

“(...) a palavra memória denomina tanto: a)o mecanismo de lembrança e esquecimento do tempo vivido pelos indivíduos e pelas sociedades (trata-se de uma dimensão “interior”da memória) quanto b) a existência objetiva da experiência dos grupos, através do tempo, objetividade essa expressa nos monumentos, documentos e relatos da sua história.” (P.16).

Com relação ao conceito de patrimônio, não comungamos com a utilização do termo patrimônio histórico-artístico ou arquitetônico, pensado pela intelectualidade no contexto do Estado Novo. Isso porque, a classificação é excludente, privilegiando apenas o velho, o tangível e que tenham pertencido as elites nacionais, ou seja, aos “grandes vultos” a memória histórica brasileira. Como assinala Ricardo Oriá, preferimos o conceito de patrimônio cultural, pela sua abrangência e democratização. Se tudo que os seres humanos participam é cultura, tudo é patrimônio: o velho e o novo, o tangível e intangível e o que tenha pertencido a todas as classe e grupo sociais. Patrimônio cultural engloba tanto o histórico como o ecológico, o artístico e o científico. É formado por um tripé indissociável que engloba as dimensões natural ou ecológica, histórico-artístico e documental. Meio ambiente, conjuntos urbanos, e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico, as obras, os objetos, os documentos, as edificações, as criações científicas, artísticas e tecnológicas, as formas de expressão e os modos de criar, fazer e viver, etc. É preciso que pensemos em uma memória plural e não nacional e unívoca. Ter direito à memória é uma questão de cidadania e de identidades.


4-OS PARTICIPANTES

Poderão participar do grupo, alunos e professores que se interessam em pesquisar sobre os aspectos históricos dos municípios do Cariri Paraibano.

5-METODOLOGIA

• No primeiro mês, será dada uma oficina sobre Arquivologia.
• Haverá um encontro quinzenal no decorrer de cada mês, onde serão discutidos textos teórico-metodológicos. Serão discutidos a nova história cultural, nova história social, nova história política, história das mulheres, micro-história, história local, antropologia histórica, história da cultura material, a história dos marginais, a história do imaginário. Esses debates fundamentarão, teórico-metodologicamente, os alunos nas decisões sobre objetos de estudos, dos quais poderão sair das fontes que estarão manuseando;
• Os alunos farão o trabalho com a catalogação das fontes, sob orientação de profissionais da área de Arquivologia;
• O objetivo final é publicar um livro a partir das pesquisas desenvolvidas e organizar arquivos públicos ou particulares.

6- CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO

2008

MÊS ATIVIDADE

JUNHO Na segunda semana de pesquisa em História iremos trabalhar a produção historiográfica sobre os municípios do Cariri e apresentar este projeto em um mini curso.
JULHO Realizações de reuniões com alunos interessados na formação do grupo de pesquisa e extensão. Período para contactar o Presidente do IHGC, para formar parceria com a UEPB, por via do NUDOPH e da Pró-Reitoria de Extensão.
AGOSTO Realização de dois encontros para discussão de textos teórico-metodológicos. Reunião com o Presidente do IHGC, a coordenadora do NUDOPH, a coordenadora do curso de História da UEPB e a Pró-Reitora de Extensão da UEPB para discutirmos as viabilidades do projeto.
SETEMBRO Realização de dois encontros para discussão de textos teórico-metodológicos. Participação cultural na programação da festa de Nossa Senhora dos Milagres de São João do Cariri.
OUTUBRO Realização de dois encontros para discussão de textos teórico-metodológicos. Oficina de Arquivologia.
NOVEMBRO Realização de dois encontros para discussão de textos teórico-metodológicos. Oficina de Paleografia.

DEZEMBRO Realização de dois encontros para discussão de textos teórico-metodológicos. Seminário sobre a produção historiográfica local do Cariri.



2009


• Durante o ano de 2009, será desenvolvida a parte de catalogação e organização dos arquivos, assim como organizado e publicado um livro contendo fragmentos históricos do Cariri.




7- REFERÊNCIAS


GURJÃO, Eliete de Queiroz e LIMA, Damião de. (Orgs.) Estudando a História da Paraíba: uma coletânea de textos didáticos. Campina Grande: EDUEPB, 2001.

AGULHON, Maurice. A República Francesa e seus símbolos. Abril, 2001.

AIRES, José Luciano de Queiroz. Memórias do Movimento de 1930 em Taperoá. Monografia de Especialização em História do Brasil, Campina Grande: UEPB, 2005.

BARROS, José D`Assunção. O campo da História: especialidades e abordagens- Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo (orgs.) Domínios da História:ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro, Campus, 1997.

CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: o Imaginário da República no Brasil- São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

CERRI, Luís Fernando. Regionalismo e Ensino de História. Revista de História Regional. Vol. 1, Nº 1, São Paulo,1996.

D’ALÉSSIO, Márcia Mansor. Memória: leituras de M.Halbwachs e P. Nora.Revista Brasileira de História. ANPUH, nº 25/26: São Paulo, 1993, p.97-103.

DIAS, Margarida Maria Santos. Intrepida Ab Origine: O Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e a produção da história local- 1905-1930- João Pessoa: Almeida Gráfica e Editora LTDA, 1996.


FREITAS, Marcos Cezar. (Org.) Historiografia Brasileira em Perspectiva- São Paulo: Contexto, 2005.

GONÇALVES, Regina Célia. A História e o Oceano da Memória: Algumas Reflexões. Revista Saeculum UFPB Nº 4/5,1999, p 13-39.

GUIMARÃES, Luíz Hugo. História do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. João Pesssoa: Editora Universitária, 1998.

GURJÃO, Eliete de Queiroz. Morte e Vida das Oligarquias. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 1994.

HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Vértice/ Revista dos Tribunais, 1990.

HOBSBAWM, Eric. A Invenção das Tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

LE GOFF, Jacques História e Memória. 2 ed. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1992.

________________ et all. A História Nova. 5ª ed. São paulo: Martins Fontes, 2005.

MARIZ, Celso. Memória da Assembléia Legislativa. João Pessoa: 1987.

MONTENEGRO, Antonio Torres. História Oral e Memória: a cultura popular revisitada.- São Paulo; Contexto, 1992.

NORA, Pierre. Entre Memória e História: a problemática dos lugares. In: Projeto História. Nº 10, São Paulo, EDUC, 1993, p7-28.

OLIVEIRA, Lúcia Lippi. As festas que a República manda guardar. Revista de Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.2, n. 4, 1989, p.172-189.

__________________ (org.) Elite intelectual e debate político nos anos 30: uma bibliografia comentada da revolução de 1930.- Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1980.

OZOUF, Mona. A Festa: sob a Revolução Francesa. In: História: novos objetos/ Jacques Lê Goff e Pierre Nora (Orgs.)- tradução de Terezinha Marinho- Rio de Janeiro: F. Alves, 1989.

POLLAK, Michael. Memória, Esquecimento, Silêncio. Revista de Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.2, n.3, 1989, p. 3-15.

_______________ Memória e Identidade Social. Revista de Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, 1992, p. 200-212.

REIS, José Carlos. História & Teoria: Historicismo, modernidade, temporalidade e verdade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.

________________ A História entre a Filosofia e a Ciência. São Paulo: Ática, 1996.

SCHWARCZ, Lília Moritz (Org.) História da Vida Privada: contrates da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SILVA, Helenice Rodrigues da. Rememoração/Comemoração: as utilizações sociais da memória. Revista Brasileira de História. São Paulo, v.22, nº 44, pp. 425-438, 2002.

SOUSA, Fábio Gutemberg Ramos Bezerra de. Cristino Pimentel: cidade e civilização em crônicas. In: A Paraíba no Império e na República: estudos de história social e cultural.- 2 ed. João Pessoa: Idéia, 2005.

SOUZA, Iara Lis Carvalho. Pátria Coroada: o Brasil como corpo político autônomo (1780-1831).- São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999.

TARGINO, Itapuan Botto. Patrimonio Histórico da Paraíba. _João Pessoa: Idéia, 2003.

TERCEIRO NETO, Dorgival. Taperoá: Crônicas para sua história. João Pessoa: Unipê Editora, 2002.


ANEXOS

1- LEVANTAMENTO DA DOCUMENTAÇÃO

SÃO JOÃO DO CARIRI

CARTÓRIO DE 1º OFÍCIO

NOTAS- 8 LIVROS

• 1886-1889
• 1892-1899
• 1899-1905
• 1905-1907
• 1911-1914
• 1914-1917
• 1949-1967

CARTÓRIO DO 2º OFÍCIO

NOTAS- 14 LIVROS

• 1823-1827
• 1830-1832
• 1832-1836
• 1836-1837
• 1837-1839
• 1843-1848
• 18481854
• 1855-1862
• 1865-1872
• 1879-1947
• 1906-1936
• 1915- ...
• 1931- ...
• 1943-1972

PROTOCOLO- 2 LIVROS

• 1946
• 1948-1949

DIVERSOS

• Livro Rol dos Culpados 1865- ...
• Livro de Tutores, de Orphãos 1879-1947
• Indicador Pessoal 1901-1904
• Livro Indicador Real 1902-1905
• Livro de Registro de Testamento 1904-1948
• Livro de Registro de Protesto de Títulos Comerciais 1927-1976
• Livro de Alistamento 1929- ...
• Livro de Audiências Cíveis e Comerciais 1935-1942
• Termo de Posse aos Prefeitos e Vereadores 1935- 1952
• Livro de Registro de Cartas de Guia 1948- ...
• Livro de Registro de Taxas Judiciais 1954-1959

ARROLAMENTOS DE INVENTÁRIOS

ANO INVENTARIANTE INVENTARIADO
1835 Senhorinha Francisca do Nascimento Antonio da Silva Vasconcelos
1825 Luiza Alves Bizerra João Batista de Abreu
1826 Martinho Ribeiro Pimentel Florência Maria da Conceição
1837 Joaquim Ferreira da Silva Sebastiana Gomes da Silva
1833 Ana Felicia do Espirito Loreto Antônio Francisco Bezerra
1843 Feliciano Gomes de Souza Joana Maria
1843 N/C Gabriel José Goveia
1844 N/C Josefa Mamede do Nascimento
1846 José Joaquim da Costa Ramos Tomé Pereira de Castro
1846 Antonio da Costa Ramos João da Costa Brito
1853 Antonia Maria Monteiro Viríssimo josé Rodrigues
1953 Francisco Cordeiro da Cunha Ana Joaquina das Martirias
1854 Gaspar Alves Bezerra Julia Alves Bezerra
1854 Antônio dos Santos Cavalcante Izabel Maria da Purificação
1845 Romana Ferreira de Jesus Adriano José de Santana
1855 N/C Manoel de Farias Castro
1856 N/C Cosme Damião Soares
1856 N/C João Tavares Feitosa
1857 Francisco Ferreira da Costa Francisca Izabel das Neves
1858 João Manoel Domingos Filho Ana Martins de São José
1858 Manoel Rodrigues de Souza José Rodrigues de Souza
1858 João Saraiva de Araujo Tereza Mariá de Jesus
1859 Francisco Gomes de Medeiros Francisco Mendes da Silva
1861 N/C Izabel Francisca de Jesus
1861 Antônio Bizerra do Nascimento Domingas Maria do Esp. Santo
1862 Joaquim Barbosa Côelho Narciza Maria da Conceição
1863 N/C Luis Gomes do Carmo
1863 N/C João Tavares de Oliveira
1864 Inácia Dantas Lazaro Martins de Castro
1864 N/C Ângela Maria do Patrocínio
1864 N/C Inácio de Barros Brandão
1864 N/C Anna Maria
1864 N/C Severina Maria Espírito Santo
1865 Claudina Fausta da Trindade Manoel Soares Brito
1866 Archanja Maria da Conceição Francisco Antônio de Tal (sic)
1866 Florença Maria da Conceição Lourenço Ferreira Ferro
1866 Manoel Severiano Gomes Barretto Joanna Maria do Amor Divino
1867 N/C Manoel de Amorim e Souza
1879 Francisco José Maria Ignácia Maria da Conceição
1879 Francisco Ferreira dos Santos Antônio Barbosa do Nascimento
1879 Joaquim Alves dos Santos João Alves dos Santos
1879 José Leite Ferreira Antonia Maria da Conceição
1880 Francisco Fernandes Oliveira Josephina Tereza de Castro
1880 Matheus de Farias Castro Maria de Tal (sic0
1880 Antônio de Farias Gurjão Firmina Maria da Conceição
1880 Manoel Antônio da costa Rita Maria da Conceição
1881 Manoel Ferreira de Freitas Francisco Ferreira dos Santos
1881 Ricardo Corréia de Sá Ignês Maria do Coração de Jesus
1881 Maria Correia da conceição Domingos Ribeiro Leite
1882 Josefa Maria da conceição Victor Fernandes Modesto
1882 Raymundo Barbosa Maria Miguel Babosa Coelho
1882 Manoel José do Espírito Santo Brígida Maria da Conceição
1882 Balduino Cavalcante de Albuquerque Ana Alexandrina Queiroz
1882 Joaquim Maria da Conceição Francisco Gerõnymo de Brito
1882 Francisca Maria do Espírito Santo Francisco de Barro e Silva
1882 José Maria Gabriel Gabriel Gomes Leitão
1882 José Dias Almeida Pinto Celina Pacheco Leitão
1882 João Manoel de Farias Brasil Felipe Neves de Farias
1883 Pedro Francisco Ferreira Guimarães Maria Francelina de Lima
1883 Justino da Costa Nogueira Pedro Maria Nunes
1883 Josefa Maria da Conceição Manoel da Costa Lima
1883 Izidro José Mariano Manoel José do Espírito Santo
1883 João Francisco Sales Manoel José do Espírito Santo
1883 João Gonçalves de oliveira N/C
1883 Anna Felicia de Queiroga T- Cel. Manoel da Costa Rompeu
1883 Anna Joaquina do Espírito Santo Luiz José Pereira da Cunha
1883 Avelino José Maria de Oliveira Claudino Gomes de Andrade
1883 Cândida Maria das Dores Antônio Felipe de Araújo
1884 Josepha Maria da Conceição AngeloCorreia de Souza
1884 Purcina Emilia do Amor Divino Francisco Soares de Araújo
1884 N/C Luiz Correia de Queiroz
1884 Eduvirges Maria de Jesus José Olavo Ferreira
1884 Salviano José Rogério
Alexandre José Rogério
1885 Caetano Correa de Queiroz Innocencia Maria do Amor Divino
1885 Ignácio da Costa Brito Florentina do Amor Divino
1885 Manoel Ferreira de Freitas Paula Maria do Carmo
1885 Carolina Maria da Purificação Pio de Souza Cavalcante
1885 Maria Joaquina do Espírito Santo Herculano José de Amorim
1886 N/C Vig. José de Souza Magalhães
1886 Joaquim Antõnio oliveira Maria José do Espírito Santo
1886 Caetano Queiros Junior Thereza Aires de Queiros
1886 Antonio Correa de Melo Antonia Maria Monteiro
1886 Antônio Barbosa côelho Manoela umbelina Conceição
1886 Minervino Vilar Carvalho A... Maria da Silvera Villar
1887 Maria Pereira Castilho João de tal (sic)
1888 Manoel Vicente Pereira Inácia Maria da Conceição
1888 José Dantas da Silva Margarida Maria da Conceição
1888 Maria Inguês de Jesus José Claudino dos Santos
1888 Alexandrino Correia Queiroz Umbelina Rosa de Queiroz
1889 José Belarmino de Araujo Agostinha de tal (sic)
1889 Firmiana Correia Lima Firmiana Correia Lima
1889 Firmino José Alves dos Santos Januária A ... Souza Leite
1890 Francisca de Andrade Lima Abelio de Souza Paiva Cavalcante
1890 Clariça de Souza Cavalcante Bevemeta de Souza Cavalcante
1890 Ângela Maria de Jesus Eduardo Gomes de Almeida
1891 Manoel Baptista de Queiroz João Baptista Queiroz
1891 Anna Justina Conceição João Antõnio de Souza
1891 Maria Rita da conceição Severino Evangelista Souza
1892 Alexandrino Souza Romeu Maria Francisca Souza
1893 Umbelina Maria de Jesus Martinho Ribeiro Pimentel
1893 Emiliano Cordeiro de Souza Manoel Joaquim Pereira de Souza
1893 Umbelina Maria de Jesus Martinho Ribeiro Pimentel
1893 Carlota Maria da Conceição João Francisco Régis
1893 Joana Maria da Conceição Manoel Vicente Ferreira
1893 José Souza Lima Maria Pachêco Leitão
1893 Manoel Alves Firmino Antonia Florinda Jesus
1894 Manoel Alympio Farias Maria José da Purificação
1894 N/C Jorge Lopes da Silva
1894 Justino Ferreira Pramade Izidoria Maria da Conceição
1894 Bento Correia Lima Emerenciana C... Lima
1894 Rita Maria da Conceição Francisco nunes da silva
1894 Aureliano de Farias Nogueira Antonio Saraiva Farias Nogueira
1894 Antônio Pacheco de Almeida José Dias de Almeida Pinto
1895 Antônio José Gonçalves Águida Maria da Conceição
N/C Francisca Maria Raimundo Pereira Araujo
1895 Josepha Maria da Conceição Francisco Gomes de Sales
1895 Manoel de Brito Souto Anna Maria (sic) da conceição
1895 Laniel Ferreira de Araujo Francelina Maria da Conceição
1895 Caetano Petronilo Cavalcanti Anna Maria de Jesus
1896 Plínio de Araujo Sales Clementina de Farias Oliveira
1896 Ignacia Maria da Conceição João Correia das Neves
1897 “Os herdeiros” Gonçalo Pereira de Castro
1897 Maria da Cruz de Queiroz Saturnino Correia de Queiroz
1897 José Joaquim de Queiroz Francisca Fausta do Amor Divino
1897 Virginio Gonçalves de Lima Paula Cândida de Jesus
1898 Manoel Fernandes Barbosa Josefa Maria da Conceição
1898 Joaquim Correia de Lima Isabel Maria da Conceição
1900 “Sua Mãe” (sic) D. Vilar de Carvalho
1900 Josefa Maria da Conceição João Thomaz da Silva
1900 Maria Candida de Sá Alexandre Lopes de Almeida
1901 José Borges Gurjão Izabel Maria do Patrocínio
1901 Josefa Maria da Conceição Manoel Luz Bezerra
1901 Joaquina Maria (sic) da Conceição Quirino Eduardo Ferreira
1901 Leonaldo José Ribeiro Cândida Temorna Aragão
1902 Izabel Maria da Conceição Florência José Bezerra
1903 Braziliano de Farias Maciel Sebastiana de Tal (sic)
1903 Antonia Maria (sic) de Andrade Antonio Francisco
1903 Cosma Maria (sic ) da Conceição Caetana Maria da Conceição Queiroz
1904 Joselino Villar Carvalho Anísio A... Villar Carvalho
1904 Antonio José Maria (sic) Maracajá Salomão Maracajá
1904 Damião José da Silva Eduvirges Maria da Conceição
1904 Alexandrino Correia de Queiroz Maria Flora do Amor Divino
1904 Joaquim Limeira Aquino Leonardo Correia de Queiroz
1904 Ana Joaquina Aires de Lima Joaquim Martins F... Castro
1904 José Amâncio Maracajá Maria J... Freire Maracajá
1904 José Lins de Albuquerque Joaquim Lins Albuquerque
1905 Pedro C... de Almeida Costa N/C
1905 Emiliano Cordeiro Souza Manoel José Maria
1905 Pedro Monteiro Leite Francisco José Caldeira
1905 Martiniano Pacheco de Assis Ignacia Ferreira de Assis
1905 Manoel Henrique Freitas Antonio Teixeira Castro
1905 Elias E... Costa Ramos Zeferino Ribeiro Leite
1905 Sebastiana Maria (sic) Rodrigues Manoel Ferreira Freitas
1905 Maximiano de tal (sic) Joaquim Gomes de Tal (sic)
1905 Bernardino Paiva Coutinho Antonio Paiva Coutinho
1905 José da Costa Oliveira Maria Julia Ramos
1905 Antonio Nunes Araujo Pedro Acyoli Fiúba
1905 João Babtista Oliveira Maria do Céu Oliveira
1905 Joaquim Ferreira Campos Vicente Ferreira Campos
1905 Rita Ribeiro Amaro Alves Ribeiro
1905 Generino Queiroz Ana Maria Mewrces
1905 Clementino Pacheco de Assis Donatila L... Andrade
1905 Herminio Alves Almeida Maria de Almeida
1905 José Alexandre Fernandes Josepha Maria da Conceição
1906 Manuel Francisco Bezerra Luiz José de França
1906 Vicente Ferreira de Melo Francisco José Cenaco
1906 Marcos José de Sales João Evangelista Apostolo
1906 João E... Milagres Junior João Evangelista Milagres
1906 Maria Joaquina da Conceição Joaquim Correia Lemos
1906 Luiz Farias Oliveira Izabel Maria (sic) Gurjão
1906 Rafael Pereira Marciel Marcionila Farias Castro
1906 Pedro Henrique Farias Salviano Henrique Oliveira
1906 Saturnino Ferreira mello Justiniano Ferreira Promade
1907 Francisca Bezerra Queiroz Santino Farias Castro
1907 Felix Maria B... Brandão Anna Aurora da Anunciação
1907 “Herdeiros” (sic) Justino de Freitas Cavalcante
1907 Francisca Ferreira Castro Francisco Fernandes Oliveira
1907 Silvino Gomes de Souza Lino José de Lipa
1907 Maria José do Rego Farias José Correia das Neves
1907 Mariano Almeida Pires Bento de Almeida
1907 José Firmino Amorim Maria Francisca Lima Santos
1907 Ernerico Maciel Fonseca Francisca Mateus
1907 Ananias Alves da Silva Manoela Joaquina de Jesus
1907 Francisca Bezerra Queiroz Felippe José Fartias
1907 Severino Antonio Souza Joana Maria da Conceição
1907 Antonio Gomes Francelina Maria da Conceição
1907 Adeodato A... Feitosa Donata Maria Conceição
1907 João Lins Albuquerque Maria Francisca Macedo
1907 N/C Maria de Casesa
1907 Martiniano F... Queiroz Felippe de Farias Castro
1907 Felix de Farias Castro Maria N... Ca= (sic) Bandeira
1907 José Honório Filho José G... de Moura
1908 Marcismila Maria da Conceição Clementino L... Castro
1908 Ernerico Maciel Fonseca Euthacia Moura Francisca
1908 Apollenário José Santos José Francisco Santos
1908 Antônio Luiz Bezerra Josefa Maria Conceição
1908 Balbuino Ferreira Lima Antonio Ferreira Lima
1908 João de Deus Brandão Benvinda Por Deus ao Mundo
1908 Francisco Florencio Freitas Antonio B... Coelho
1908 Firmino Alves dos Santos Manoel Alves de Almeida
1908 José Clarindo Costa Benicia Maria da Conceição
1908 Rita Maria Conceição Avelino José Maria
1908 Emidio José Gonçalves Ricardo Manoel da Cruz
1909 Izabel de Farias Oliveira João de Farias Oliveira
1909 José Limeira Aquino Joaquim Limeira de Aquino
1909 Antônio Tavares Queiroz Firma Maria de Jesus
1909 José Maria de Andrade Maria Manoela da Conceição
1909 Virgínio José Mello Antonia Maria da Conceição
1909 Antonio José Julião N/C
1909 Joaquim Clemente de Souza Maria Joaquina da Conceição
1909 José Cavalcante de Alburquerque Balduino Cavalcante Albuquerque
1909 Manoel Rodrigues de Moura Januária Maria Espírito Santo
1909 Manoel Ribeiro de Queiroz Rozalina Maria Espírito Santo
1909 João Bezerra Evangelista Aguida Maria de Jesus
1909 Rio José Maria Paulino Francisco Pereira
1909 Adelino Ribeiro de Queiroz Generino Correia de Queiroz
1909 Major José Correia de Queiroz Maria da Conceição L... Queiroz
1909 Martiniano de Assis Pacheco Antonia Pacheco
1910 José Cassemiro Souto Maria Martinha
1910 Izabel Pacheco de Brito João Maria de Brito
1910 Framblim A... Paiva Ana Felicia de Queiroz
1910 Cap. Antônio Faria Gurjão Joaquim Gomes Meira
1910 Belmira Ramos Elias E... (sic) Costa Ramos
1910 Joaquim Ferreira Quintanha Francelina Maria da Conceição
1910 Manoel Fernandes Barbosa José Fernandes da Silva
1910 Pedro Venâncio de Gouveia Anna Theresa de Jesus
1910 Manoel Francisco da Silva Filho Manoel F... de Sá e Maria F... de A... D...(sic)
1910 Asbagos Ramos e Major Filomeno Manoel e Padre Tito Lins
1910 Manoel Virginio da Costa Virginio José de Melo
1910 Pedro Ferreira Dias Luiza Maria da Conceição
1910 João Alves de Andrade Jerônima Maria da Conceição





2-LIVROS PUBLICADOS SOBRE AS HISTÓRIAS DO CARIRI

• ANTONIO PEREIRA DE ALMEIDA- Velhos Troncos de Cabaceiras e o povoamento do Vale do Taperoá;
• PADRE JORGE RIETVELD E MARICÉLIO JANUÁRIO DA SILVA- Centenário
• de Camalaú;
• ANTONIO LEITE BARBOSA- A História do Desterro;
• JOSÉ RAFAEL DE MENEZES- Patriarcas de Alagoa do Monteiro;
• PEDRO NUNES FILHO- Guerreiro Togado: Fatos Históricos de Alagoa do Monteiro;
• TARCÍSIO DINOÁ MEDEIROS- Freguesia do Cariri de Fora e Ramificações da Genealogia do Cariri;
• JOSÉ LEAL- Julgado do Cariri de Fora e Valores Humanos do Cariri Velho; Reencontro da Vila; Vale do Travessia;
• INOCÊNCIO NÓBREGA- Malhada das Areias Brancas;
• DORGIVAL TERCEIRO NETO- Taperoá: Crônicas para sua História;
• JOSÉ LUCIANO DE QUEIROZ AIRES- De Pombas a Parari: Três séculos de História;
• JOSÉ LUCIANO DE QUEIROZ AIRES E LÁZARO ALVES DE FARIAS- Estaca Zero de Ontem, Assunção de Hoje;
• JOSÉ LUCIANO DE QUEIROZ AIRES E FAUSTINO TEATINO CAVALCANTE NETO- História da Banda Filarmônica “Maestro João Ferreira de Souza”, Os filhos de Zé Ribeiro no comando do PMDB de Taperoá e José Ribeiro: a história de um líder;
• FRANCISCO DE ASSIS OURIQUES SOARES- Boa Vista de Santa Rosa: de fazenda à municipalidade;
• ANTONIO MARIANO SOBRINHO- Rio do Camará;
• CELSO MARIZ- Atravéz do Sertão,
• JOSÉ DE FARIAS BRITO- Pedaços da História de São João do Cariri.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O RISO E A CULTURA POLÍTICA BRASILEIRA: PENSANDO A RENOVAÇÃO DA HISTÓRIA POLÍTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA

ZOOLOGIA POLÍTICA NO CONTEXTO DO IMPÉRIO

É de fundamental importância começarmos pelo presente. Quem, no seu município ou estado, nunca ouviu alguém colocar apelido animalesco nos partidos políticos ou nos próprios candidatos ou eleitores, por extensão? Você lembra de algum? Que tal: bacurau, tucano, cururu, ...? Pois bem, essa prática cultural política não é de hoje. No século XIX, no Brasil, durante o período do Império, a zoologia política foi bastante utilizada.
Os famosos apelidos se situam no âmbito das disputas e confrontos políticos baseados na valorização de uns e depreciação de outros. No século XIX, valorizava-se o humano, tido como “racional” em detrimento dos outros animais, tidos como irracionais. Assim, quando se apelidava algum partido com nomes animalescos, o objetivo era desqualificar-lhe e aos seus seguidores, comparando-os a seres “irracionais”, portanto, a animais.
A visão do mundo, no XIX, durante os tempos modernos, era bastante humanista. O pensamento pode ser resumido nas idéias de que a razão humana, a ciência e a tecnologia, só poderiam trazer o “progresso”, a “civilização” e a felicidade humana. Será?
No tocante à política, o Estado Nacional se colocava como a estrela guia da sociedade, ou seja, para o discurso ideológico da Monarquia, o único regime político capaz de levar a nação brasileira nos rumos do “progresso” e da “civilização”, era a monarquia constitucional centralizada no Imperador. A República, na visão deles, gerava “anarquia” e esfacelamento.
A selvageria, no contexto do século XIX, corresponderia ao “mau comportamento” político. O que era ser “mal comportado” politicamente naquele tempo? Aquele cidadão rebelde, não patriótico, o que discordava, ou seja, “as víboras da pátria, a loucura contra a razão, enfim, a barbárie contra a civilização”. (MOREL, 1998). Com isso, procurava-se delimitar fronteiras no terreno político estabelecendo o que era permitido ou não no debate público.
Os “exaltados”, membros desse partido político que discordava da Monarquia e sinalizava na defesa da República, eram sempre associados à imagens de animais. Cipriano Barata era alvo predileto desses insultos. O Jornal Atalaia, de 1823, assim se reporta a ele e seus partidário: “A vista disto, gritem até que arrebentem, os imitadores das Galinhas de Guiné”, ou ainda “Eis a linguagem dos Franchinotes, que Voltaire appelida meios Tigres e meios Macacos.”
Como podemos observar, os partidários da Monarquia definiam a linguagem política dos “exaltados” como gritos “selvagens” e ameaçadores. Havia toda uma representação que procurava desqualificar a oposição política.
Utilizando representações semelhantes, os monarquistas brasileiros procuravam insultar os vizinhos países latino-americanos. Enquanto o Brasil era monárquico, aqueles, desde a emancipação da Espanha adotaram o regime republicano. O trono imperial do Brasil buscava legitimar o regime da Monarquia como o único que garantiria a centralização territorial e conduziria a nação no caminho futuro do “progresso” e da “civilização”. Para isso, era preciso falar do outro regime, a República, aquele que na ótica do império só poderia gerar “anarquia” e esfacelamento, tal qual nos países vizinhos. O Jornal Gazeta do Brasil, de 1827, noticia uma matéria que faz alusão à animalização das vizinhas repúblicas latino-americanas se referindo à Colômbia como “onças colombianas”.
Entretanto, precisamos deixar evidente que os acusados de “selvageria” política também revidavam. Por exemplo, os absolutistas (partidários do Imperador) eram tratados como “cães damnados”, ao passo que os monarcas D. João VI e D. Pedro I foram apelidados de “feras coroadas”.
Além dos conflitos entre liberais e absolutistas, outras camadas da população eram envolvidas na discussão. Os escravos, por exemplo, não eram considerados humanos, eram tratados como animais irracionais. Conforme assinala o Jornal Nova Luz Brasileira, em 1830:

O escravo nem possue Pátria, nem prosperidade, nem religião, nem o natural ser de homem: escravo não é exactamente homem; porque não estando de posse de seus direitos naturaes próprios que constituem sua excencia.

Os partidários do Antigo Regime português, aqueles que se opunham à independência do Brasil eram tratados como feras. Sendo assim, pelo discurso liberal do Império, absolutistas (que defendiam interesses portugueses) e escravos (que não eram considerados seres humanos, e sim, animais) eram adversários das liberdades modernas, como as feras se opunham aos seres humanos.
Conforme já dissemos acima, havia resistência por parte dos acusados de zoologia política. Reagiam tanto revidando as acusações na mesma moeda, também com insultos animalescos, assim como também reagiam quando alguns assumiam as características “animais” transformando-as em arma de combate político. O historiador Marcos Morel nos fornece alguns exemplos. Um deles é a quantidade de jornais que exibiam em seus títulos, no século XIX, no Rio de Janeiro, referências a animais: O Macaco Brasileiro, O Papagaio, O Beija-Flor ou O Minhoca.
A animalização se tornou tão comum no vocabulário político da época que os insultados passavam a se utilizar do adjetivo zoológico, transformando em adjetivo positivo. O Jornal Beija-Flor, por exemplo, construiu uma representação positiva em seu nome. Ele se colocava tal qual o animal, “portador de uma voz fina e delicada, em oposição à brutalidade dos outros jornais (...)” (MOREL, 1998).
Além dessas imagens, outras circularam por dentro do vocabulário político do XIX. No contexto da independência do Brasil, os brasileiros (que defendiam a independência) eram sempre comparados aos caprinos: bodes, cabras, cabritos. Essa imagem se associava a questão da voz, da busca de expressão: o cabrito que berra.
Eram os portugueses que assim se referiam aos brasileiros, mesmo após a independência. Os ofendidos, evidentemente, resistiam simbolicamente, chamando os portugueses de “caiados bodes de Portugal.”. Os brasileiros, às vezes, se utilizavam dessa identidade de bode transformando em positividade, a exemplo de um homem que publicou no Jornal Aurora Fluminense, em 1831, afirmando que era “O cabrito que não se deixa comer”, demonstrando ter força diante dos portugueses.
A recuperação que os brasileiros fizeram do adjetivo de cabra, tornando uma imagem positiva, pode ser compreendida na mitologia. Aí, a cabra aparece como uma figura matricial, protetora, ao mesmo tempo em que é livre e ágil. Nas lojas maçônicas da época, a imagem do bode estava presente, o que é possível pensar que foram os maçons portugueses que divulgaram a imagem dos brasileiros como bodes.
O bode, na mitologia dos povos antigos, desempenhava duplo papel: eram símbolos de potência, santo, representante do fogo do sacrifício, e por outro lado era visto como satânico, corrupto, maléfico. Segundo Morel (1998), estudioso da zoologia política no Brasil do XIX, a documentação da época sinaliza quanto a existência das duas imagens: satânica e benéfica.
A imagem de caprinos quando era destinada aos escravos tinha características raciais. Vejamos o anúncio publicado no Jornal Diário Fluminense, em 1830: “Vende-se na Rua dos Invallidos nº 52, huma linda rapariga cabra, muito bem feita, com abundancia de elite, e sabe cozer, tecer, fiar, cozinhar, e engoma liso, faz também queijos”. Ou seja, quem ler esse anúncio pensa que o que está a venda é um animal de boas qualidades.
Se os portugueses construíram representações animalescas dos brasileiros, procurando desqualificá-los, estes também não ficavam passivamente e também resistiam. Todos aqueles que fossem inimigos da independência, por isso partidários dos portugueses, eram insultados igualmente. A monstruosidade era associada pelas elites brasileiras aos portugueses que “Não são Portuguezes, não são homens; são monstros mais hediondos que os do Museu Aldrovando.”, conforme denunciava o Jornal de 1822.
Os partidários da independência do Brasil, influenciados pelas idéias do liberalismo do século XVIII, desqualificavam como monstros todos que se contra punham ao regime político liberal-constitucional. Era uma forma de legitimar esse regime, por meio da imagem zoológica. D. Pedro I, por exemplo, que abdicou por conta das pressões internas que o acusava de absolutista, foi assim descrito pelo Jornal O Tribuno do Povo, de 1831: “Já não existe entre nós o monstro que por longo tempo nos embaio; nosso valor o expelio do trono, Brazileiros”.
Durante boa parte do século XIX, os liberais apelidavam os portugueses absolutistas de corcunda. Consoante o historiador Marco Morel (1998), os liberais da América espanhola chamavam os absolutistas espanhóis de corcovados, por conta do ritual dos cumprimentos dos súditos diante do rei, quando se curvavam diante deste. O referido historiador aposta na possibilidade dessa imagem ter chegado ao Brasil, com uma conotação de monstruosidade.
Aqui no Brasil, corcundas serão os partidários do absolutismo português. São os inimigos das “novas idéias” (liberalismo).
São esses conflitos simbólicos, parte integrante da cultura política do século XIX, construindo identidades políticas, imaginários, sempre buscando legitimação diante dos outros.

REFERÊNCIAS

MOREL, Marco. Animais, monstros e disformidades: a “zoologia política” no processo de construção do Império do Brasil. Revista de Estudos Históricos, nº 24, Rio de Janeiro, FGV, 1999.